domingo, 25 de março de 2012

Pelo prisma da ansiedade!!!

Esse sentimento nos faz priorizar as informações negativas e examiná-las de forma detalhada
por Antonia P. Pacheco Unguetti

© Yobidaba/Shutterstock
Não é preciso ter depressão para acordarmos numa manhã qualquer e, sem motivo específico, nos sentirmos sem esperança no futuro e incapazes de lembrar eventos gratificantes. Uma simples falta de ânimo já é o suficiente para acionar uma espécie de filtro que faz nossa mente captar e recordar apenas informações negativas. É dessa forma que a ansiedade atua: direcionando a atenção para estímulos específicos (em geral negativos).

Para compreender se ela é um problema, é preciso observar como se manifesta. Há diferença entre ficar ansioso diante de uma situação que representa ameaça real e ter esse sentimento como um traço de personalidade. No primeiro caso, ela é normal e saudável, pois cumpre uma função adaptativa essencial para a existência. A ansiedade nos incita a focar toda atenção naquilo que nos preocupa em um momento específico, mantendo-nos alertas para que possamos nos prevenir de consequências que podem ser prejudiciais.
Pessoas com transtorno de ansiedade, no entanto, tendem a se fixar com frequência em informações irrelevantes. Chegam, por exemplo, a observar um mesmo ambiente repetidas vezes, à procura de estímulos ameaçadores que, uma vez localizados, são evitados e controlados com dificuldade. Elas interpretam informações de maneira desfavorável e são mais suscetíveis a pensamentos negativos. Esse comportamento interfere em praticamente todas as áreas de seu cotidiano.

Emoções e respostas

A ansiedade determina o tipo de informações que priorizamos e a forma como as interpretamos. Quando nos sentimos pressionados por alguma situação, a maioria de nós não é capaz de considerar mais de uma opção nem de acreditar que existem alternativas viáveis. No entanto, nos dias em que estamos felizes e otimistas, confiamos mais em nossas capacidades e a mente fica mais aberta para enxergar diferentes pontos de vista sobre o que nos preocupa. O problema pode ser o mesmo e talvez as opções sempre estejam ao alcance, mas a forma de processar as informações recebidas é sensivelmente diferente.
Essas diferentes maneiras de perceber o mundo são determinadas pelas emoções. De fato, alguns estados afetivos parecem moldar o funcionamento da mente para responder de maneira eficaz às demandas de uma situação. A ansiedade restringe o campo de visão da realidade e nos faz ver o mundo em “modo de ameaça”.
O modo como diferentes emoções acionam maneiras opostas de se processar uma mesma tarefa foi o tema de um de nossos experimentos. Selecionamos três grupos de estudantes para assistir a um vídeo que mostra um homem armado assaltando um banco. Em seguida, cada grupo visualizou, em separado, imagens com conteúdos emocionais diferentes: positivo (esportistas recebendo troféus, paisagens, famílias), negativo (acidentes, pessoas doentes, guerras) ou neutro (móveis, utensílios de cozinha). Após serem expostos a esses estímulos, os estudantes foram convidados a tentar reconhecer, entre fotos de vários homens, o rosto criminoso do vídeo.

Desempenhos diferentes

Os resultados mostraram que o grupo que havia visualizado as imagens com conteúdo positivo realizou o teste de forma mais eficiente. Todos os participantes do estudo haviam assistido ao vídeo do assalto e nenhum fora previamente avisado do que teria de fazer, mas os estímulos recebidos por cada grupo favoreceram ou complicaram a forma como a tarefa foi realizada.
A explicação dos resultados obtidos é simples, se considerarmos que o reconhecimento de um rosto requer um estilo de processamento global: nossa atenção apreende desde aspectos gerais, como tamanho ou formato da cabeça, o tipo do cabelo ou a cor dos olhos até algum detalhe que pareça tornar aquele rosto inconfundível, mas que de forma isolada não seria determinante. Os estímulos positivos parecem favorecer esse estilo de processamento, que é o mais adequado para realizar tarefas que exigem a observação de aspectos gerais – dessa forma, esse grupo obteve “vantagem” sobre os que receberam estímulos neutros ou apreensivos.
Após esse experimento, os mesmos voluntários foram convidados a participar de mais um teste. Dessa vez, a tarefa exigia a atenção em detalhes. Orientamos os participantes a encontrar diferenças em jogos do tipo “sete erros”. Os três grupos tiveram a mesma quantidade de tempo para localizar diferenças entre pares de imagens aparentemente iguais. Como a ansiedade incita a observar detalhes e informações aparentemente irrelevantes (que podem converter-se em ameaça), as pessoas do grupo em estado de ansiedade foram mais eficazes nessa tarefa, achando um maior número de diferenças em menos tempo que os outros grupos.
Essa pesquisa mostra como a ansiedade age sobre nossa capacidade de atenção: ela pode nos ajudar a localizar até a mais insignificante ameaça, mas também pode contribuir para que vivamos continuamente apreensivos.
 

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Entusiasmo, a força que vem de dentro!

Além do significado que pode ser entendido como um estado de grande euforia e alegria, refletindo em uma consequente coragem, a palavra "entusiasmo" vem do grego e significa literalmente: "sopro divino" e ainda “o Deus que habita dentro”.
Etimologicamente falando, também acho linda a composição da palavra Entusiasmo. Entusiasmo é composto de 2 palavras do grego en + theos, que literalmente quer dizer "em Deus". Originalmente significava inspiração ou possessão por uma entidade divina ou pela presença de Deus.

Estar Cheio de Deus

Os gregos eram politeístas, isto é, acreditavam em vários deuses. Assim a pessoa entusiasmada era aquela que era possuída por um dos deuses. Ser entusiasmado é nada mais que estar CHEIO de DEUS.
Atualmente, uma pessoa entusiasmada está disposta a enfrentar dificuldades e desafios, não se deixando abater e transmitindo confiança aos demais ao seu redor. O entusiasmo pode portanto ser considerado como um estado de espírito otimista.

Mas o entusiasmo é diferente do otimismo. Otimismo significa acreditar que uma coisa vai dar certo. Talvez até torcer para que ela dê certo. Muita gente confunde otimismo com entusiasmo.

Um otimista tem pensamento positivo e acredita que uma coisa vai dar certo. Um entusiasta é aquela pessoa que acredita na sua capacidade de transformar as coisas, de fazer dar certo. Entusiasmada é a pessoa que acredita em si. Acredita nos outros. Acredita na força que as pessoas têm de transformar o seu próprio mundo e a sua própria realidade.
Um otimista “espera” que a coisa de certo. Um entusiasta “trabalha” para que dê certo pois ele acredita na sua capacidade de realizar, produzir, criar, construir.
Para tudo o que é feito na vida sempre é empregado uma dose de “emoção”, de energia, quer seja ela pequena ou quer seja ela grande. Assim no dia a dia as pessoas podem alocar entusiasmo em suas tarefas, em seus compromissos, em suas realizações e com isso promover uma grande revolução em seus resultados. Quem vive entusiasmado nos relacionamentos, no trabalho e na vida, provoca resultados muito diferentes daqueles que são apenas otimistas.

Exercício Simples

Sinta a diferença neste exercício simples realizado em 3 etapas:

- Vá em frente a um espelho e Diga: bom dia (com pouca emoção na sua voz).
- Na segunda vez, coloque um pouco mais vibração na voz ao dizer bom dia e perceba que até seus olhos irão ficar diferentes.
- Na Terceira etapa, dê um sorriso antes, diga bom dia com muita emoção na voz (aumentando o tom e a vibração) e perceba que seus olhos brilharam: Isto é entusiasmo.
Isto é contagioso!
Pessoas entusiasmadas mudam o mundo ao seu redor. Elas ajudam os outros a construírem seus sonhos e a realizar suas metas. Você mesmo já percebeu como é diferente e gostoso estar ao lado de uma pessoa entusiasmada? Como o entusiasmo dela te afeta positivamente? O próprio ambiente muda. Isso porque quando a pessoa se entusiasma, literalmente falando, ela se “ENCHE DE DEUS”, e DEUS é essa força interior, esse ESPÍRITO lindo que mora dentro do ser humano (falando em Criacionismo) e por isso todo o ambiente muda, pois uma pessoa entusiasmada está ativando de dentro dela mesma a força que mora dentro, ou seja, o próprio DEUS.
Uma pessoa entusiasmada que está todos dias conectada com DEUS, em relacionamento íntimo e fluente, é um agente de alegria, de esperança, fé e convicção. Seja um agente do entusiasmo, Libere o DEUS que habita dentro de você para transformar o mundo ao seu redor. Diga YES e viva com alegria a vida FENOMENAL que você tem direito.

Paulo Abreu - http://abreucoachinginstitute.com/coaching/89-entusiasmo-significado.html

domingo, 5 de fevereiro de 2012

                        Paixão, um diagnóstico
O encantamento de uma pessoa por outra pode ser acompanhado por exames de neuroimagem

Já faz algum tempo que amor e paixão deixaram de ser domínio dos poetas e filósofos e passaram a figurar no leque de temas de interesse da neurociência. Afinal, que propriedade do cérebro pode ser mais intrigante do que sua capacidade de se apaixonar por outro cérebro – e, claro, o corpo que o acompanha?

Com a tecnologia moderna, nada mais fácil do que colocar voluntários devidamente apaixonados dentro de um aparelho de ressonância magnética funcional e investigar que partes do cérebro se “acendem” quando o objeto do seu desejo é avistado – em comparação, por exemplo, à visão de outras pessoas igualmente bonitas, ou do mesmo sexo e idade, mas não tão especiais quanto aquela por quem o cérebro se apaixonou. O único problema é determinar, primeiro, quem de fato está devidamente apaixonado. Não é bem uma questão trivial, mesmo porque envolve um alto grau de honestidade para consigo mesmo que nem todos têm, e que não adianta querer ter. Para quem está em dúvida, eis uma pequena lista de critérios diagnósticos (de nenhum valor médico, por favor!):

- Pensamentos obsessivos e intrusivos a respeito de uma única pessoa, como se seu cérebro não conseguisse afastar sua ideia da mente;

- Motivação aumentada quanto a tudo o que puder colocá-lo na presença desta pessoa, seja atravessar a cidade para encontrá- la em um bar, reorganizar toda sua agenda da semana ou fazer mágicas para conseguir uma passagem de avião;

- Necessidade diminuída de sono, pois qualquer oportunidade de ficar acordado na presença daquela pessoa (ou de sua voz, ou avatar e texto em programas de mensagens instantâneas ou SMS) é agarrada com unhas e dentes;

- Sensação de euforia em sua presença, acompanhada de otimismo incorrigível e um sorriso bobo no rosto;

- Olhar fixado no outro, que rouba o foco da sua atenção e torna tudo ao redor irrelevante;

- Necessidade de tocar no outro, acompanhada de manifestações fisiológicas variadas (coração disparado, pele eletrizada, rosto ruborizado) e desejo sexual irresistível;

- Ideação constante sobre futuros possíveis com essa pessoa especial; e

- Angústia da separação, uma ansiedade terrível em resposta a meros pensamentos sobre distanciamento e eventualmente morte da pessoa em questão.

Quem já esteve profundamente apaixonado saberá se reconhecer aqui; quem está em dúvida pode tentar se “diagnosticar”. Pessoalmente, acho que a angústia da separação é um excelente critério de desambiguação. Faça uma lista mental de pessoas do seu conhecimento e – em segredo, e de maneira totalmente hipotética! – “mate-as” uma a uma. A morte do síndico do seu prédio ou de seu chefe não deve incomodá-lo muito; a morte de um tio talvez seja lamentável, mas suportável. Já a morte de um filho, ou daquela pessoa em especial... bingo!

Foi por causa dessa lista de características tão particulares que a antropóloga Helen Fisher, especialista em amor e paixão, propôs que esta fosse considerada não um sentimento ou emoção, mas um estado particular de hipermotivação e atenção focado na pessoa querida. Anos depois, a ressonância magnética confirmou: o cérebro apaixonado tem seu sistema de recompensa e motivação, centrado no estriado ventral, hiperativado por tudo o que é direta ou vagamente relacionado ao objeto do desejo. Tudo a seu respeito é maravilhoso, desejável e certamente digno dos maiores esforços.

Conhecer suas origens no estriado ventral torna a paixão menos maravilhosa? Nem um pouco, eu diria. Se esse pedacinho de nada do meu cérebro pode me fazer sentir assim... uau!

Suzana Herculano-Houzel é neurocientista, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) http://www2.uol.com.br/vivermente/artigos/paixao_um_diagnostico.html

domingo, 8 de janeiro de 2012

Porque Você não Muda?


Todos os acontecimentos em nossa vida tem um significado e uma motivação.

As emoções aqui tornam-se a representação das motivações e a esperança de entender o significado dos acontecimentos.
Todos os seus pensamentos, palavras e atitudes são os geradores das motivações, e compreender as motivações te levam a entender e compreender o significado do acontecimento.
Toda situação que acontece na nossa vida tem um “Q” de aprendizagem. Precisamos sempre aprender com os resultados de nossas atitudes.

Muitas vezes dizemos:
- Não mereço isso ou aquilo. Como é injusto tal coisa ter acontecido comigo.

Pois bem...
Aqui já podemos observar nossa dificuldade em entender que o que aconteceu, não se gerou sozinho e que somos 100% responsáveis por tudo o que acontece em nossa vida!
O que devemos perceber é a necessidade de nos mantermos conscientes das palavras que pronunciamos, dos pensamentos que mantemos e das atitudes que tomamos. Precisamos policiar em especial nosso pensamento que inicia todo este processo.

A vida é Marvilhosa e Abundante em coisa boas, mais quem disse que estamos atentos para usufruir destes bens maravilhosos?
Geralmente estamos muito ocupados pensando no mal da humanidade, remoendo a violência no nosso País, preocupados com o futuro incerto e arrependidos pelo passado mal vivido.
Perdemos tempo demais com pensamentos banais e improdutivos, enquanto, pensamentos poderiam serem gerados para nos tornar habilidosos na arte da conquista.

Decida hoje iniciar um novo ciclo onde sua preocupação esteja focada em manter pensamento próspero, em que sua mente possa remoer sempre a esperança de dias melhores e especialmente que você viva tão consciente do teu momento presente que não tenha razões para se arrepender do passado nem necessite preocupar-se com o futuro.

Coloque na sua convicção de Viver melhor e isso seguramente acontecerá!

Jesika Oliveira
Psicanalista, Terapeuta Emocional e Palestrante
Obrigada a Todos que me acompanharam no ano de 2011, me proporcionando bem-estar, alegrias e prosperidade.
Agradeço também os e-mails que recebi, todos tão carinhosos...

Em 2012 estou renovando meu compromisso de esclarecer dúvidas sobre a mente e contribuir com o suce$$o de todos aqueles que me procurarem.

Feliz 2012 pra nós!

Para Aprender Concentre-se!


                                                    
Pesquisadores da Universidade da Califórnia (UCLA) descobriram que a realização simultânea de mais de uma atividade altera a maneira como o cérebro retém as informações. "A qualidade do aprendizado é pior quando não estamos concentrados", disse a VEJA o professor de psicologia Russell Poldrack, co-autor do estudo.

Participantes da pesquisa: estudantes de 20 anos em média

Técnica utilizada: imagens geradas por um tomógrafo mostram as áreas do cérebro em que há mais irrigação sanguínea, sinal de atividade cerebral intensa

Atividade proposta: numa tela acoplada ao tomógrafo, projetaram-se algumas imagens de formas geométricas. Os estudantes tinham de separá-las por cor e forma. A atividade foi repetida com a adição de outro comando: os participantes tinham de contar os "bips" disparados por uma campainha

Como os estudantes se saíram: a distração da campainha não os fez errar na separação das formas. Contudo, ao terminarem a segunda tarefa, os participantes tiveram dificuldade para lembrar em que ordem as formas apareceram, entre outros detalhes questionados pelos pesquisadores

O que o exame detectou: o hipocampo, região cerebral que tem participação crítica no processo de armazenagem e lembrança de dados, somente foi ativado quando os participantes prestaram atenção à tarefa única. Quando conciliaram duas tarefas, o hipocampo não foi ativado.

A conclusão: o cérebro trabalha de forma mais completa quando está concentrado, o que propicia lembrar as informações num contexto diferente daquele em que o aprendizado se deu

Conselho do pesquisador depois da descoberta: "Não realize mais de uma tarefa quando você está aprendendo uma coisa nova, da qual pretende se recordar depois", diz Poldrack

Como eles conseguem?

Famosos dão conta de vários trabalhos paralelos porque têm assessores para cuidar dos detalhes da rotina. Também porque têm estratégias para organizar o tempo e para se manter concentrados.

           Reginaldo Teixeira
RICARDO MANSUR

Rotina: estuda teatro de manhã, à tarde pratica pólo e à noite sai para badalar. Reserva os horários de almoço e jantar para tratar de negócios
Como se mantém centrado: não bate cartão no escritório. Tem um notebook, pelo qual lê notícias e checa e-mail

                                                                                           ROBERTO JUSTUS
Rotina: dirige seis empresas, dá palestras pelo Brasil e grava um programa de televisão.
Como se mantém centrado: dispensa computadores portáteis  para ter um momento desplugado. Não lê todos os e-mails  que recebe – as secretárias fazem uma triagem do que é importante. O contato com a natureza, no fim de semana em sua casa de campo, ajuda-o a descansar

http://veja.abril.com.br/041006/p_128.html


terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Caminho para a Paz Interior!!!


Então, eu descobri que havia algumas purificações que eram exigidas de mim! A primeira é algo tão simples: é a purificação do corpo. Isto tem a ver com seus hábitos físicos de vida. Você se alimenta de forma sensata, alimentando-se para viver? Conheço, de fato, pessoas que vivem para comer. Você sabe quando parar de comer? Isto é muito importante. Você tem hábitos de sono igualmente racionais? Eu tenho que ir para a cama cedo e garantir muitas horas de sono. Você recebe suficiente ar puro, sol, exercícios físicos e contato com a natureza? Poder-se-ia pensar que esta é a área mais fácil a ser atacada, mas, por experiência prática, descobri que, frequentemente, é a última, porque pode signifi-car para as pessoas, livrarem-se de alguns maus hábitos aos quais nos aferramos tão tenazmente!

A segunda purificação não poderia ser enfatizada em demasia, pois é a purificação do pensamento. Se você compreendesse toda a força dos seus pensamentos, você nunca teria um pensamento negativo. Eles poderão ser uma poderosa influência para o bem quando estão no lado positivo, como também podem fazê-lo adoecer fisicamente, quando estão no lado negativo.

Lembro-me de um homem que tinha 65 anos quando o conheci e que manifestava sintomas do que parecia ser uma doença crônica. Conversei com ele e percebi que havia uma amargura em sua vida, embora eu não conseguisse identificá-la exatamente, a princípio. Ele se relacionava bem com sua mulher e seus filhos crescidos, vivia bem em sua comunidade, mas a amargura estava lá. Eu acabei descobrindo que ele nutria uma amargura em relação a seu pai falecido há muito tempo, por ter seu pai educado seu irmão e não ele. Tão logo ele abriu mão de sua amargura, a tal doença crônica desapareceu.

Se você abriga o menor rancor contra alguém, ou quaisquer pensamentos negativos desagradáveis, você deve libertar-se disto imediatamente, isto não está causando mal a quem quer seja, exceto a você mesmo. É sabido que o ódio fere aquele que odeia, não aquele que é odiado. Não basta fazer ou dizer o que é correto, é preciso que se pense o que é correto, antes que sua vida possa harmonizar-se.

A terceira purificação é a purificação do desejo. Que coisas você deseja? Você deseja roupas novas ou prazeres, artigos, domésticos ou um carro novo? Vocé pode chegar ao ponto de ter um único desejo: conhecer e fazer sua parte no Plano da Vida. Pensando bem, há alguma outra coisa verdadeiramente importante a desejar-se?

Há mais uma purificação, que é a purificação das motivações. Quais são os seus motivos para o que quer que você esteja fazendo? Se se trata de pura ambição, egoísmo ou auto-glorificação, eu lhe diria: "Não faça isto". "Não faça qualquer coisa a partir de um tal motivo". Mas, isto não é tão fácil porque tendemos a agir com motivos mistos, boas e más motivações estão misturadas. Tomemos um homem de negócios: suas motivações podem não ser as mais elevadas, mas, somadas a estas, estão motivações relacionadas aos cuidados com sua família, e, talvez, traga algum bem à sua comunidade. Motivações mixtas!

Sua motivação, para você encontrar a paz interior deve voltar-se para fora de você mesmo -- deve ser motivação para o serviço. Deve se dar, não receber. Conheci um homem que era um bom arquiteto. Este era, obviamente, o trabalho certo para ele, mas ele o fazia por motivos errôneos. Sua motivação era ganhar muito dinheiro e passar à frente dos "Silva". Ele trabalhou até contrair uma doença e foi logo depois disto que o conheci. Consegui que ele fizesse pequenas coisas para servir. Conversei com ele sobre a alegria de servir e sabia que depois desta experiência, ele jamais poderia voltar a viver egoisticamente. Correspondemo-nos um pouco depois disto. Em meu terceiro ano de peregrinação, passei por sua cidade e quase não o reconheci quando parei para visitá-lo. Ele era um outro homem! Mas, ainda era um arquiteto. Ele trabalhava em um projeto e me explicou: "Veja, estou fazendo uma planta que se adapte ao orçamento deles e também para que fique bem no terreno onde será construído". Seu motivo era servir às pessoas para quem faria os projetos. Ele estava radiante e completamente transformado! Sua esposa contou-me que seus negócios melhoravam porque agora pessoas vinham de bem longe para encomendar-lhe projetos para suas casas.

Conheci algumas pessoas que tiveram que mudar de emprego a fim de mudar suas vidas, mas conheci muitas outras que simplesmente tiveram que mudar suas motivações, direcionando-as para o serviço, a fim de mudar suas vidas.

Agora, a última parte:
Estas são as renúncias. Uma vez feita a primeira renúncia, você terá encontrado a paz interior, porque é a renúncia à sua vontade. Você pode praticar isto, abstendo-se de fazer algo que não seja bom, para que você se sinta motivado, mas nunca reprima! Se você sentir-se motivado para dizer ou fazer algo mau, pense em algo bom e, deliberadamente, use a mesma energia para fazer ou dizer algo bom. Isto funciona!

A segunda renúncia é a renúncia à sensação de isolamento. Começamos a sentir-nos à parte e julgar tudo à nossa volta como se fôssemos o centro do universo. Mesmo após adquirirmos um melhor conhecimento intelectual, continuamos, ainda assim, a julgar as coisas dessa maneira. De fato, somos todos células no corpo da humanidade. Não somos separados dos outros seres humanos. Trata-se de uma totalidade. É somente desta perspectiva mais elevada que você poderá saber o que significa amar seu próximo como a si mesmo. Desse ponto de vista mais elevado emerge uma só maneira realística de se trabalhar e esta será para o bem, você será uma célula contra todas as outras e estará, assim, em desarmonia. Mas, tão logo você comece a trabalhar para o bem do todo, você se encontrará em harmonia com todos os outros seres humanos. Esta é maneira fácil e harmoniosa de viver.

Há, ainda, uma terceira renúncia: a renúncia a todos os apegos. As cousas materiais devem ser postas em seus devidos lugares. Estão ali para serem usadas e está correto usá-las, para isto foram feitas. Mas, quando perderem sua utilidade você deve estar pronto a renunciar a elas e talvez, passá-las a alguém que as necessite. Qualquer coisa à qual você não consegue renunciar após perder suas utilidade, passa a lhe possuir, e nestes tempos materialistas, muitos de nós somos possuídos por nossas posses materiais. Não somos livres.

Existe outro tipo de possessividade. Você não possue qualquer outro ser humano, não importa quão próxima seja sua relação com ele. Nenhum marido possui sua mulher; nenhuma esposa possui seu marido; nenhum pai possui seus filhos. Quando acreditamos possuir as pessoas tendemos a dirigir suas vidas e daí surge uma situação de extrema desarmonia. Só quando damos conta de que não as possuímos, que elas devem viver de acordo com suas próprias motivações interiores, é que deixamos de tentar dirigir suas vidas e então descobrimos que somos capazes de viver em harmonia com elas.

Agora, a última: a renúncia a todos os sentimentos negativos. Quero mencionar apenas um sentimento negativo: é a preocupação. Preocupar-se é diferente de ocupar-se o que lhe obrigaria a fazer o possível para resolver uma situação. Preocupar-se é, inutilmente, remoer-se coisas que não podemos mudar. Vou mencionar apenas uma técnica. Raramente, preocupamo-nos acerca do momento presente, o que, de maneira geral, está aqui. Se você se preocupa, você sofre pelo passado que deveria ter esquecido há muito tempo, ou fica apreensivo pelo futuro que nem sequer está aqui, ainda. Tendemos a passar por cima do momento presente. Uma vez que este é o único momento que pode ser vivido, se você não o vive agora, você jamais chegará a vivê-lo. Se, de fato, você vive o momento presente, tenderá a não se preocupar. Para mim, cada momento é uma nova oportunidade de prestar serviço.

Um último comentário acerca dos sentimentos negativos, algo que me ajudou muitíssimo em uma ocasião e que tem ajudado outras pessoas. Nenhuma coisa exterior, nada ou ninguém pode ferir-me internamente, psicologicamente. Eu só posso ser ferida psicologicamente por minhas próprias ações errôneas e sobre as quais eu tenho controle: ou por minhas próprias reações equivocadas, as quais são sutis e enganosas, mas também podem ser por mim controladas; ou por minha própria passividade em algumas situações, como por exemplo, a atual situação mundial, a qual precisa de minha ação. Quando tomei consciência de tudo isto, que livre me senti! E simplesmente deixei de magoar-me. Agora, alguém poderia me fazer o pior mal e eu sinto apenas a mais profunda compaixão por esta pessoa tão em desarmonia, esta pessoa tão doente psicologicamente, que é capaz de fazer coisas tão perversas. Eu, certamente, não me magoaria através de uma reação errônea de amargura ou rancor. Você tem controle absoluto sobre ferir-se ou não, psicologicamente, e você pode parar de magoar-se a qualquer momento que você assim o queira.

Estes são os passos em direção à paz interior que eu desejava compartilhar com você. Não há nada de novo nisto. É a verdade universal. Eu apenas conversei sobre isto com minhas próprias palavras em termos da minha própria experiência pessoal. As leis que governam este universo operam para o bem tão logo as obedecemos, e qualquer coisa contrária a essas leis não perdurará, pois contém dentro de si os germes da sua própria destruição. O bom em cada vida humana torna possível a nós a obediência a essas leis. Nós temos livre arbítrio e, assim, depende apenas de nós quão cedo passamos a obedecer a estas leis e encontrar a harmonia, tanto dentro de nós como no mundo.

(Extraído de uma palestra na Estação de Rádio KPFK, Los Angeles).